terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Alguns anos "perdidos" ou Bem-vindo eu de volta


Durante aquele ano que seguiu logo após a minha decisão de não mais seguir a carreira acadêmica, tive uma enorme crise de identidade que culminou em um vazio profundo interno. Eu não conseguiria, ao menos neste momento (ainda), traduzir em palavras como foi exatamente aquele meu sentimento angustiante. Afinal, poxa, eu tinha um foco para minha vida. E dediquei meus estudos e planos voltados para aquele foco.

A minha decisão se deu logo nos primeiros meses do mestrado em linguagens e cinema. Não que eu estivesse com muita esperança de encontrar alguma coisa muito extraordinária por lá (o tombo ali foi bem menos doído comparado com o que eu sofri na graduação). Sim, encontrei excelentes professores - com um deles ainda mantenho contato. Mas encontrei alguns que, depois da primeira aula, simplesmente sumia (era o tal do professor entrar por uma porta e eu sair pela outra).

E resolvi desistir. Preferi continuar a lecionar minhas aulas particulares em um curso de idiomas (onde até hoje tenho liberdade de dar a aula que eu quiser desde que seja responsável e traga resultados aos alunos) e deixar as doutas explanações de "ordem acadêmica" aos empertigados mestres, doutores, pós-doutores que adoram trocar confetes e se emplumarem todos, mesmo quando os seus esforços trazem pífios resultados práticos. Porém, essa decisão de nada foi fácil, significou um desmoronar de um objetivo de vida, de um sonho alimentado por anos.

Disso resultou no meu trancamento do curso de mestrado para "dar um tempo" e tentar reorganizar minhas ideias. Depois, acabei voltando ao curso para conclui-lo, pois 90% da minha dissertação já estava escrita.

Continuei com minhas atividades profissionais tentando sair daquele torpor que mais uma vez entrei (escrevi sobre eu e esse sentimento de torpor em algum post...). Porém, mesmo estudando e lecionando, ainda assim, aquele vazio "preenchia" meus dias. Era como se um eclipse solar híbrido, escrevo "híbrido" porque sempre houve momentos que não eram de total escuridão, justamente porque, apesar de minha misantropia, sempre tive (e tenho!) excelentes pessoas por perto que me ajudavam a manter os pés na terra. 

Apesar de ter concluído o mestrado, ainda assim, sentia-me sem um foco, sem um objetivo de vida. Não sabia se o que eu estava fazendo profissionalmente era efêmero ou se aquilo era realmente o que eu queria para a vida. Nesse limiar do sim e do não, perdi alguns preciosos anos de estudos. Não que eu não tenha continuado meus estudos, continuei, mas senti que era um tanto quanto superficial. Parece que ao não conseguir me encontrar, não encontrava estímulo para prosseguir.

Especificamente este ano, consegui achar meu eu novamente. Novamente identifiquei meu plano de vida (é esse!!!) e, espero que, desta vez, consiga prosseguir.

E vamos que vamos... sempre em frente. :)