quarta-feira, 7 de novembro de 2018

 


-Para uma pessoa muito importante- (e com seu aval)

No dia em que resolvemos, em um acordo tácito (nada de surpreendente: muitas coisas entre nós selavam-se em acordos tácitos, não é?), que apesar de nos gostarmos muito, seria melhor cada um seguir seu próprio caminho, na verdade, não senti forte emoção (não por ser insensível - como uma vez você afirmou em uma de nossas conversas - mas por entrar em modo on de torpor).

No dia seguinte, acordei sem ter a presença de suas palavras de bom-dia em mensagens extremamente carinhosas escritas pelas manhãs, muito cedo, às 6h. Palavras somente suas, muito bem faladas ou redigidas, e com seu toque especial. 

Amigos em comum, alguns com um toque de inveja (inveja essa saudável, de caráter não destrutível - bem, para você haveria algumas dúvidas nessa minha afirmação, mas...), sempre comentavam o quanto formávamos um casal bonito (pela forma que nos tratávamos), eterno, perfeito. Mas longe de sermos um casal perfeito, tínhamos problemas que consumiram boa parte de nosso relacionamento.

Talvez o erro esteja em meu jeito de ser. Talvez... afinal, "uma gaivota é uma gaivota, nasceu para cruzar os céus sozinha", como, certa vez, você me disse, em referência à canção. Quanto silêncio, palavras não ditas, compartilhamos? Pois sim, nunca fomos rudes um com outro, jamais trocamos palavras ofensivas, embora muitas vezes elas estivessem presas na garganta, não é verdade? 

Tentamos, em vão, trabalhar nesses problemas juntos tantas vezes. Porém sabíamos que minha personalidade em conflito com a sua só acarretaria em um aumento dessas dificuldades.

Aceitar que acabou e entender o porquê foi relativamente fácil; difícil foi olhar no celular ao meio-dia, horário de almoço, e não ver nenhuma mensagem sua para responder.

E ao final daquele dia, pela noite, quase peguei meu celular para lhe mandar uma mensagem perguntando se estava bem: gesto automático. Será que você também tinha esses gestos até se acostumar à nova realidade?

Passei já por muita coisa em termos de fortes emoções e perdas, de modo que encaro essas situações como se em anestesia. Mas confesso que uma pontada acabou por me atingir naquele dia mesmo, mais à noite quando partiu de você as palavras: "Resolvi ser forte e falar com você. Não posso te deixar assim, por favor, nos dê mais uma chance". Ao que senti uma enorme vontade de dizer sim, mas como seria? Era muito tarde para te pedir desculpas por tudo, muito tarde para mudar nosso destino. Já tinha sentido que tinha te perdido, então te deixei em silêncio e você falou algo como "seu silêncio sempre me apunhala, mas, do fundo do meu coração, te desejo boa sorte". Começamos a nos tratar como amigos nos dias que se seguiram.

No entanto, parecia que as coisas não se encaixavam e, não me surpreendi quando você disse que teríamos de nos afastar definitivamente. Ao te dar um último forte abraço, ouvi suas palavras ao meu ouvido: "eu te amo". Seguindo da minha resposta inédita de "eu te amo também" e de sua expressão de surpresa, nos deixamos para nunca mais trocarmos qualquer outra palavra. E espero que você esteja bem e que fique bem para toda sua vida, pois amar significa, às vezes, ter de deixar ir embora.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Alguns anos "perdidos" ou Bem-vindo eu de volta


Durante aquele ano que seguiu logo após a minha decisão de não mais seguir a carreira acadêmica, tive uma enorme crise de identidade que culminou em um vazio profundo interno. Eu não conseguiria, ao menos neste momento (ainda), traduzir em palavras como foi exatamente aquele meu sentimento angustiante. Afinal, poxa, eu tinha um foco para minha vida. E dediquei meus estudos e planos voltados para aquele foco.

A minha decisão se deu logo nos primeiros meses do mestrado em linguagens e cinema. Não que eu estivesse com muita esperança de encontrar alguma coisa muito extraordinária por lá (o tombo ali foi bem menos doído comparado com o que eu sofri na graduação). Sim, encontrei excelentes professores - com um deles ainda mantenho contato. Mas encontrei alguns que, depois da primeira aula, simplesmente sumia (era o tal do professor entrar por uma porta e eu sair pela outra).

E resolvi desistir. Preferi continuar a lecionar minhas aulas particulares em um curso de idiomas (onde até hoje tenho liberdade de dar a aula que eu quiser desde que seja responsável e traga resultados aos alunos) e deixar as doutas explanações de "ordem acadêmica" aos empertigados mestres, doutores, pós-doutores que adoram trocar confetes e se emplumarem todos, mesmo quando os seus esforços trazem pífios resultados práticos. Porém, essa decisão de nada foi fácil, significou um desmoronar de um objetivo de vida, de um sonho alimentado por anos.

Disso resultou no meu trancamento do curso de mestrado para "dar um tempo" e tentar reorganizar minhas ideias. Depois, acabei voltando ao curso para conclui-lo, pois 90% da minha dissertação já estava escrita.

Continuei com minhas atividades profissionais tentando sair daquele torpor que mais uma vez entrei (escrevi sobre eu e esse sentimento de torpor em algum post...). Porém, mesmo estudando e lecionando, ainda assim, aquele vazio "preenchia" meus dias. Era como se um eclipse solar híbrido, escrevo "híbrido" porque sempre houve momentos que não eram de total escuridão, justamente porque, apesar de minha misantropia, sempre tive (e tenho!) excelentes pessoas por perto que me ajudavam a manter os pés na terra. 

Apesar de ter concluído o mestrado, ainda assim, sentia-me sem um foco, sem um objetivo de vida. Não sabia se o que eu estava fazendo profissionalmente era efêmero ou se aquilo era realmente o que eu queria para a vida. Nesse limiar do sim e do não, perdi alguns preciosos anos de estudos. Não que eu não tenha continuado meus estudos, continuei, mas senti que era um tanto quanto superficial. Parece que ao não conseguir me encontrar, não encontrava estímulo para prosseguir.

Especificamente este ano, consegui achar meu eu novamente. Novamente identifiquei meu plano de vida (é esse!!!) e, espero que, desta vez, consiga prosseguir.

E vamos que vamos... sempre em frente. :)