Há algum tempo estou dedicando as minhas horas vagas ao estudo dos métodos de ensino de línguas estrangeiras (com foco no inglês e no português) e o que estou verificando pelos livros e artigos que estou lendo é que existe, como não é de se surpreender, uma "briguinha" entre correntes. Há autores que se preocupam mais em tecer críticas das formas que não apreciam do que explicar os motivos pelos quais escolheram este àquele método de ensino. Há uma forte corrente dos que dizem que o ensino da gramática não é mais válido e totalmente ineficaz (sim, há os radicais). Problema de egos, como sempre.
Ainda estou compilando todas as ideias em minha cabeça para poder depois refletir, passar as noites pensando sobre todas essas informações que estou levantando e trazer para minhas aulas o que eu entender que possa engrandecê-las.
Continuo na defesa da gramática no ensino. Pura. Correta. Assim como diria Evanildo Bechara: "o aluno não vai para a escola para aprender "nós pega o peixe"". Logicamente que o professor Bechara está se referindo ao ensino de língua portuguesa nas escolas e ao livro didático adotado nelas, mas penso que o ensino para estrangeiros também segue, grosso modo, essa mesma ideia: nenhum aluno vai para um curso querendo aprender um português mais ou menos ou se sentir "enganado" quando erra alguma coisa básica e não é corrigido para, no futuro, descobrir que estava falando/escrevendo errado. E, penso que, a melhor maneira de ensiná-lo corretamente é explicar a gramática, explicar em um nível e de um modo que o aluno possa entender.
Bem, não significa que minhas aulas são focadas só e tão somente na gramática. Mesclo situações do cotidiano que o livro texto propõe, muito diálogo nunca fugindo do conteúdo já aprendido.
O problema, na minha humilde opinião, não é ensinar ou não a gramática, mas sim COMO ensiná-la. Não há possibilidades de abordá-la como se estivéssemos ensinando para um nativo, obviamente. Então, o grande desafio é torná-la palatável, pouco a pouco, inseridas em um contexto (contexto esse que lhe seja útil, de seu interesse).
Cada aluno absorve de forma diferente o conteúdo. Tive muitos alunos ao longo desses anos de sala de aula, todos particulares e adultos. Posso dizer que cada um possui um jeito único de assimilar o conteúdo. Há muitas variantes na formação de cada um deles, de forma que não há como generalizá-los. Como faço? Procuro estudar, dedico bastante tempo a cada aula, com foco naquele aluno em questão, individualmente. Imagino-me no cenário (sala de aula com ele) e como seria sua reação frente a minha explicação. E, também, procuro anotar e revisar sempre diferentes formas de explicar determinada aula (se sinto que o aluno está tendo dificuldades para entender, parto para outro jeito de explicar, e assim por diante).
Claro que a experiência em sala de aula conta muito. Cada vez mais sinto segurança e continuo lapidando constantemente minha metodologia. Cada vez mais aprendo com eles como preparar minhas próximas aulas.
De todos as minhas incertezas/dúvidas, de uma coisa tenho absoluta convicção: há professores (não estou generalizando, quero acreditar que é uma minoria) que deixam de ensinar a gramática e defendem veementemente o não ensino da mesma por um único e simples motivo: não querem eles próprios estudarem, lerem, dedicarem-se, ou têm uma enorme dificuldade até mesmo na gramática básica (o que dirá capacidade para identificar, corrigir e explicar os erros de seus alunos). Para estes digo (ou escrevo, que seja): não há desculpas! Ensinando ou não a gramática, o professor precisa dominá-la sim para lecionar. Precisa estudar não só a gramática, mas também os métodos de ensino, precisa preparar suas aulas, ler muito... do contrário, sinto muito, trata-se de um picareta que não deveria estar sequer em uma sala de aula.
