Eba! Sexta-feira chegou! Último dia da semana, que maravilha! ........... é, mas não tanto assim, para pessoas como eu aqui que trabalham seis dias por semana, isso quer dizer: aos sábados também. Mas, agradeço que tenho saúde e disposição para aguentar o tranco da correria do dia-a-dia.
Isso me traz à tona um seriado que assisti há alguns anos em que o protagonista ficou adoecido e era uma enfermidade que ia degenerando seu corpo pouco a pouco. Então, em determinado episódio, ele comenta: coisas tão naturais que não pensamos sobre, tais como ter pernas para andar, ter mãos para trabalhar e que só damos real valor quando perdemos. É, realmente. Desde então, toda vez que tenho alguma dor muscular normal devido ao trabalho ou aos exercícios físicos, lembro-me disso.
Bem, o que me remete ao título do meu post de hoje. Na verdade, apenas uma brincadeira com o título do livro de Haruki Murakami, "O que falo quando falo de corrida". Um excelente livro que vale a pena mesmo dar uma conferida. As sensações que tenho quando nado e as que tenho quando corro são bem distintas, mas, basicamente, concordando com Murakami, não penso muito em nada muito específico ou profundo. Isso vale tanto para a corrida quanto para a natação.
Na natação penso muito em termos de técnicas, tento sempre melhorar de alguma forma aqui e ali. Mesmo nadando desde meus 7 anos ainda tenho muitas coisas a complementar. Procuro na internet e assisto alguns vídeos de vez em quando para observar o que estou fazendo bem e o que me falta de técnica. Não sou profissional nem excelente, faço aproximadamente 2000 metros em uma aula de 45 minutos (free style, menos golfinho). Pratico cinco vezes por semana e, confesso, tem alguns dias que um diabinho fica soprando no meu ouvido: "não vai hoje não, deixa para amanhã", mas tento não dar ouvidos a ele e ir mesmo quando tenho que ir me arrastando. =D Chegando na piscina geralmente depois das primeiras braçadas nem sinto mais o tempo passar. Tento me esforçar cada vez mais, superar meu limite pouco a pouco. Retornei à natação depois de um hiato, recomecei com meros 750 metros em 45 minutos, perdendo o fôlego a cada 50 metros. Pouco a pouco consegui entrar em sintonia novamente com a água e o corpo pareceu ficar mais leve, desenvolvendo-se mais naturalmente na água. É claro que as corridas e a prática da arte marcial ajudaram-me a chegar mais rápido aos 2000 metros de natação, mas, sem dúvida, onde me sinto melhor é dentro da água.
Mas no que penso realmente quando estou nadando? De tudo um pouco, de nada muito. Nada muito profundo, simplesmente não consigo mesmo manter um foco de pensamento. Penso na minha agenda do dia seguinte: tal hora tenho tal reunião, sobre o que vamos discutir? E pronto, o pensamento muda para outra coisa. É como se o cérebro estivesse em modo zap.
Um amigo meu, parceiro de arte marcial, perguntou-me: "Por que é que você prefere natação, alguma razão específica?". Pensei, pensei. Achei que "porque gosto" não saciaria a dúvida dele, e ele me perguntou em uma época que eu estava muito para baixo, então eu disse: "Porque é uma atividade em que posso chorar tranquilamente e ninguém vai perceber". Ele me olhou curioso, com o olhar meio duvidoso, estudando minha resposta e disse: "Bom, nada contra, meio gay, mas deve ser problemático porque acumula lágrimas nos óculos". Rimos feito bobos. Mas são amigos assim de que precisamos em momentos que estamos querendo ir para bem longe, para Marte (se bem que seria uma viagem muito interessante se fosse possível, quem sabe um dia?).
Aliás, a imagem acima é de um anime sobre natação que estou assistindo aos poucos. Chama-se "Free!", é bem legal, depois comento mais um pouco sobre ele. ^.^


