quarta-feira, 6 de março de 2013

Do orgulho e da arrogância (de um post antigo de 2007)

Por anos, vivi estressada e frustrada. Não conseguia dormir e estava sempre cansada. Minha vida era um inferno.

Talvez (?) seja possível considerar que meus problemas se agravaram com a performance nos estudos e na natação. No sentido que, desde pequena, ganhei medalhas tanto por notas altas quanto por obter classificações nas competições de nado livre. O programa PosiCobra me incentivava a obter excelente resultado na escola. Os elogios pela dedicação nos treinos de natação permitiam que eu continuasse me esforçando.

Era legal continuar progredindo; todo dia sentia melhores resultados e meus amigos me tinham como um exemplo. Na escola fundamental, era líder e nunca tive problemas com bullying.

Certa feita, um professor de Português, chamado Juarez, convidou-me para participar do programa de estudos de reforço. Basicamente, eu ajudava colegas com produção de textos, literatura e matemática. O lugar de destaque a que isso me levou, fez-me sentir mais inteligente que os demais.

Aqui um breve parênteses: a falta de tempo (eis que a natação, as aulas de desenho, de inglês, de japonês, de karatê, de violão, os estudos, os diversos problemas familiares, consumiam todos meus dias) não permitia que eu continuasse apoiando Daniel com todos seus altos e baixos; e seus ataques de euforia, ciúmes e depressão começaram a me incomodar. Mas tudo que se sucedeu faz parte de outra história - quem sabe um dia transcreverei. 

Olhando para trás, eu era exigente tanto comigo quanto com os meus colegas. Comecei a ficar arrogante. Encontrava erros dos demais e me irritava: "Por que isso?!"; "Por que não entende?"; "Quantas vezes é preciso falar?"; "Esse pessoal não tem cérebro!".

Comecei a odiar os treinos de natação e, principalmente, as aulas. Irritava-me profundamente os professores sendo prolixos, lentos nas explicações ou quando cometiam erros crassos. Vivia em frustrações.

Então, passei a não ir mais às aulas, pulava os treinos físicos. Estranho, não? No início, era tudo legal. Mas fiquei arrogante demais; culpava terceiros, cada vez mais a repulsa pela escola me consumia e eu não percebia o quanto estava mal. Sem noção.

Com a falta de treino, vieram as derrotas na natação. Com a falta de frequência na escola, a medalha de ouro do PosiCobra virou de prata. Com a queda na performance, os colegas faziam questão de enfatizar minha baixa no rendimento. E veio o stress. No desespero de recuperar o posto que ocupava, voltei arduamente aos treinos e a assistir às aulas. Sob imensa pressão, logo já não discernia coisas que gostava de fazer daquelas que eu não gostava. Entrei em profundo estado de ansiedade.

Fiquei perdida de vez. Parei com a natação, com o desenho, inglês, japonês etc. Não respondia mais os amigos e familiares. Rejeitei sair com Daniel diversas vezes. Minha família chegou a cogitar que eu estava entrando no mundo das drogas. Passei a não dormir direito.

A insônia me perseguiu nessa época. Não gostava mais de nada. Sentia-me sempre cansada; o desejo de fazer qualquer coisa se apagou. Meu cérebro parecia quebrado; cometia erros básicos. Em profundo stress me afastei de todos de vez. Ataques de ansiedade faziam parte do meu dia-a-dia. A realidade parecia muito distante de mim. De tudo, queria fugir. Pensamentos de suicídio invadiram minha mente. 

A vida era um inferno. Então, percebi que o inferno estava dentro de mim, não fora. O inferno não é um mero conto ou só existe após a vida material. O inferno é aqui. Fiquei presa nele esse período. Foi horrível. Perdi toda a confiança e não acreditava mais em mim mesma.

Aí tudo isso se fechou com a decisão que Daniel tomou (outra história!). Naquele momento, perdi a vontade de me expressar; tudo que acontecia em termos de sentimentos - sejam quais fossem - permanecia tão somente dentro de mim.

Porém, eu queria melhorar.  Tentei me conectar comigo mesma. Comecei a refletir profundamente, a analisar minhas atitudes e pensamentos. 

Outro parênteses que devo abrir por aqui é que, por volta dessa época, conheci o professor Mustafá. Este, um dia disse-me que o único lugar possível para ir quando se está no topo, em primeiro lugar, é ladeira abaixo e que, quando isso acontecesse, era para eu espiritualmente aceitar. 

Entendi o peso que eu carregava para manter uma posição de destaque e o quanto uma mera queda na colocação me atingia negativamente. Entendi que a arrogância me cegava também. Sempre me sentia mais inteligente e capaz que os demais. Pensando assim, eu não conseguia amadurecer. Arrogância e orgulho não permitiam ver quem eu realmente era. 

Creio que até hoje, ainda goste de "me achar" ao enfatizar minhas habilidades e inteligência, então ainda carrego um certo grau de arrogância dentro de mim.

Entretanto, de acordo com Shinran Shonin, desejos mundanos, incluindo-se a arrogância, nunca desaparecem enquanto estamos vivos. No Jodo Shinshu o objetivo não é extinguir completamente a arrogância de nossas mentes, mas, sim, reconhecê-la e entendê-la. Penso que se alguém se esforça muito em ser humilde, verdadeiramente não o é. 

Conseguindo captar essas coisas que escrevi, vi que mudanças eram necessárias. Atualmente, faço natação por gostar mais do que por competir. Estudo o necessário para ir bem, leio o que gosto. Não me importo mais com colocações; já não ligo (muito) se pintar um 8 ou 9 no boletim. O tempo tem passado rápido assim e tenho dormido melhor.

E assim vão-se os dias.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Take That!

Saudações! =)

Hoje: quarta-feira. Dia de correr. Dia de fazer 10 quilômetros quase morrendo depois de duas semanas sem nenhum exercício (sim, consegui a façanha de fazer um estiramento no joelho direito o que me deixou 16 dias de molho absoluto - nem calçar o sapato eu conseguia direito quanto menos correr um metro que fosse).

Muito que bem: acordo às 4h50 da manhã para correr no parque perto de casa juntamente com três amigos. Marcamos para às 5h30. Tomo meu café da manhã, arrumo umas coisas aqui e acolá, deixo tudo prontinho para os cachorrinhos passarem a manhã tranquilos, visto-me, de carro vou até o local combinado e... tcharam! CHUVA! Ah, como eu queria que estivesse chovendo no bairro onde resido também! Assim não precisaria ter saído de casa e andar 10 minutos de carro para chegar no local e descobrir que um toró me aguardava. *sentindo-me em derrota*

Mas nem tudo é assim tão chato: fui ouvindo um antigo pen-drive em que guardei algumas músicas que ouvia mais antigamente. Às vezes, devido à correria do dia-a-dia, acabamos por esquecer certas coisas que já significaram tanto para a gente e, nesses momentos quando essa mágica da memória retorna, é tão satisfatório, não é mesmo? Dá uma pontada de saudosismo, de lembranças que estão lá, guardadas em compartimentos secretos dentro de gavetas em nossa memória.

Take That. Era essa banda inglesa que estava em meu pen-drive e que me trouxe lembranças tão bonitas. Boy band, mas sempre gostei das músicas.

É engraçado o que acontece quando ouvimos uma música específica que marcou algum momento de nossas vidas. Tenho consciência de que o nosso cérebro trabalha por associações, mas, ainda assim, acho tão... mágico! É como se naqueles 3-5 minutos guardassem dias, semanas, meses, anos de lembranças e tudo volta à tona somente ao ouvir a canção. Até outras sensações aparecem para mim, por mais interessante que pareçam, como cheiros, por exemplo.


E olha que interessante: o nome do álbum que eu estava escutando hoje era: Never forget. Justamente quando estava pensando em momentos da minha vida que passei ouvindo essas músicas da banda.

Mas vamos à tal da sensação de despertar do cheiro que a música me proporcionou hoje. A música se chama "Today I´ve lost you". Eu costumava ouvir o álbum quando me deitava na grama do parque para descansar e, muitas vezes, a grama tinha um cheiro de umidade, além do som de background da água do lago. Engraçado que isso voltou à minha mente só ao ouvir os primeiros acordes da música. Mas, talvez nem fosse isso: ora! Estava chovendo hoje, talvez fosse mesmo o cheiro de grama molhada do presente mesmo e não do passado. =D Todavia, foi um momento muito legal do dia.

Aí voltei para casa, coloquei um pijama e dormi. ^. ^ Para só acordar às 7h e sair para o trabalho. Bem, tudo bem, preguiça pouca é bobagem: deveria eu ter feito uma série de exercícios como flexão, abdominal, mas... ah! Eu estava vivendo um momento mágico afinal. =D

Segue aqui a letra do "Today I've lost you"


Driving home in my car, nearly midnight
Rain on the road in my view
Holding my heart, it's the first night without you
On my clothes I still smell your perfume

Should have called
When I left you were crying
Is it too late to apologize
From talking to fighting, admitting, denying
To finally saying goodbye

Now I regret every word that was spoken
I said some things you know I didn't mean
Maybe we'll turn back the time
Work it out, start a new
Oh maybe today I've lost you

I can't help but think of our last conversation
I close my eyes I can still see your face
I hope what I'm feeling now

You are feeling it too
Oh maybe today I've lost you

Driving faster out on this empty road
Being single's so bad at twenty-three
Looking for signs, asking strangers directions
When the answer's right in front of me

Strange how a minute can feel like a lifetime
I know what I had now it's gone
I swallowed my pride coz alone here, I'm dying
And with you is where I belong

For twenty-four hours I've been searching for reasons
Reasons why we should be living apart
Hope I'm not too late to come home
Work it out, start anew
Oh maybe today I've lost you

Baby today, I've lost you
Baby today, I've lost you





sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Primeiras palavras jogadas ao tempo


Saudações.

Criei esse blog para expressar meus pensamentos que se formaram desde quando enfrentei uma fase extremamente complicada de minha vida há sete anos e que de quando em quando ainda os estilhaços resultados daquela época, atingem-me novamente. Ora com muita intensidade, ora com mais sutileza, mas como uma sombra sempre à espreita, retornam e me atingem.

Havia eu criado um antigo blog naqueles idos, porém acabei por escrever no punho muitas de minhas experiências em meu diário. Muitos dos assuntos eram uma forma de aliviar de algum modo todo aquele pesar e frustração de todo o mundo e de mim pessoalmente... e de minha vida pessoal/profissional. Não sei o quanto tanta negatividade me serviram, mas tudo aquilo formou a pessoa que sou hoje. Não há retorno.

Alguns amigos (ou quase todos) sabem que jogo RPG de caneta e papel desde a mais tenra infância. Cito essa questão porque parte do público que acompanhava meu antigo blog são esses amigos jogadores. Muita coisa aprendi sobre o comportamento humano através dos jogos, e muitas experiências boas e não muito boas adquiri ao lidar com essa interação direta com outros jogadores. 

Não sei ao certo o que sairá nestes posts, vou só escrevendo para ver aonde as palavras me levam e o quanto de emoção e lembranças me trazem. Talvez nem saia nada de relevante. 

Utilizarei para fechar esse post uma frase que talvez venha a definir a pessoa que sou: nada, senão imprevisível (um grande professor meu comentou com minha família em uma reunião que sua opinião sobre mim era que eu era uma pessoa imprevisível... talvez ele estivesse certo).